A Igreja no mundo todo celebra na próxima segunda-feira, 2, o Dia de todos os Fiéis Defuntos, dia que nos traz à memória os nossos familiares e amigos queridos que Deus chamou para junto de si. Neste ano de 2020, o luto esteve presente em milhares de famílias que perderam seus entes queridos, em especial pela pandemia da covid-19, que tanto tem ferido a população mundial.
À luz da Palavra de Deus, somos convidados a refletir sobre a esperança de sermos consolados pela graça e a misericórdia de Deus. No livro de Isaías (40,31), Deus nos fala através do profeta. “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.”
Em sua homilia para o Dia de Finados de 2018, o papa Francisco apresentou três dimensões desse dia para nos ajudar a refletir a memória, a esperança e o caminho. “O Dia de Finados é um dia de memória do passado, para recordar aqueles que caminharam antes de nós, que nos acompanharam, nos deram a vida. Recordar é fazer memória. A memória é aquilo que fortalece um povo porque se sente radicado num caminho, numa história, num povo. A memória faz com que compreendamos que não estamos sozinhos, somos um povo que tem uma história, um passado, uma vida.
Não é fácil fazer memória. Muitas vezes, temos dificuldade de pensar no que aconteceu na nossa vida, na nossa família, no nosso povo, mas celebrar todos os Fiéis Defuntos é dia de memória que nos leva às nossas raízes familiares ou de amizade, nos faz lembrar de pessoas que Deus nos deu a graça de conviver e que estão junto dele na glória celeste. É também um dia de esperança: a Palavra de Deus mostra-nos o que nos espera. Um céu novo, uma terra nova e a cidade santa de Jerusalém, nova. Linda imagem usada para nos fazer entender o que nos espera: “Vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo” (cf. Ap 21,2). Espera-nos a beleza... Memória e esperança, esperança de nos encontrarmos, de chegarmos onde está o Amor que nos criou, o Amor que nos espera: o amor do Pai.
E entre memória e esperança há a terceira dimensão, a do caminho que devemos percorrer e que atravessamos. E como percorrer o caminho sem errar? Quais são as luzes que me ajudarão a não errar a estrada? Qual é o “navegador” que o próprio Deus nos concedeu para não errar o caminho? São as Bem-Aventuranças que, no Evangelho, Jesus nos ensinou. Essas Bem-Aventuranças ‒ a mansidão, a pobreza de espírito, a justiça, a misericórdia, a pureza de coração ‒ são as luzes que nos acompanham para não errarmos a estrada: esse é o nosso presente”.
Hoje, bispo da Diocese de Teófilo Otoni (MG), Dom Messias dos Reis Silveira lançou, em 2015, quando ainda era bispo de Uruaçu (GO), um livro chamado “Superar a dor do Luto”. Nesse livro o bispo dá dicas de como podemos superar o luto e a saudade. “A morte é uma despedida. Na morte temos que nos despedir da pessoa que amamos. Temos que deixá-la partir para um encontro definitivo com Deus. É preciso olhar para o futuro e não querer aprisionar a pessoa no passado, ou nas boas experiências que se viveu”.
Neste ano a Celebração de todos os Fiéis Defuntos será diferente em nossa Arquidiocese, como explica o padre Jonisoncley Santos, coordenador da Pastoral da Esperança da Arquidiocese de Goiânia. “A Igreja de Goiânia, reconhecendo os protocolos de cuidados emitidos pelos municípios, que proíbe a celebração de missas e cultos nos cemitérios, orienta seus fiéis a rezarem as missas de Finados em suas respectivas paróquias. A oração pelos mortos ajuda a consolar a perda das pessoas que amamos, principalmente neste tempo de pandemia em que não tem sido possível curar bem e vivenciar o luto. Supliquemos, em oração, que Deus nos cure o luto mal vivido.”
Não haverá Missas nos Cemitérios
Haverá Missas nos Cemitérios
Oração pelos parentes falecidos
“Pai Santo, Deus Eterno e Todo-Poderoso, neste momento de fé, na presença de Jesus Cristo, nosso Divino Redentor, por intercessão de Maria Santíssima e São José, eu vos peço por (nome do falecido), que chamastes deste mundo. Dai-lhe a felicidade, a luz e a paz. Que ele (a) tendo passado pela morte, participe do convívio de vossos santos na Vida Eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência. Que sua alma seja libertada das penas temporais, e vos digneis ressuscitá-lo (a) com os vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa. Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a vós a vida imortal no reino eterno. Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno e brilhe para ele (a) a vossa Luz! Que (nome do falecido) e todos os fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descanse em paz! Amém!”
Bênção do túmulo
Oremos. Senhor Jesus Cristo, que, repousando três dias no sepulcro, santificastes com a esperança da ressurreição os túmulos daqueles que creem em Vós, fazeis que o corpo do vosso (a) servo (a) durma e descanse em paz nesta sepultura, até ao dia em que Vós, que sois a ressurreição e a vida, o façais resplandecer com a luz da ressurreição, para que possa contemplar no esplendor do vosso rosto a luz eterna do Céu. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.
Arquidiocese de Goiânia
